|
História do café:
O café é originário das terras altas da Etiópia (possivelmente com culturas
no Sudão e Quênia) e difundiu-se para o mundo através do Egito e da Europa.
Mas, ao contrário do que se acredita, a palavra "café" não é
originária de Kaffa — local de origem da planta —, e sim da palavra árabe
qahwa, que significa "vinho", devido à importância que a planta
passou a ter para o mundo árabe.
Uma lenda conta que um pastor chamado Kaldi observou que suas cabras ficavam
mais espertas ao comer as folhas e frutos do cafeeiro. Ele experimentou
os frutos e sentiu maior vivacidade. Um monge da região, informado sobre
o fato, começou a utilizar uma infusão de frutos para resistir ao sono
enquanto orava.
O conhecimento dos efeitos da bebida disseminou-se e no século XVI o café
era utilizado no oriente, sendo torrado pela primeira vez na Pérsia.
Na Arábia, a infusão do café recebeu o nome de kahwah ou cahue. Enquanto
na língua turco otomana era conhecido como kahve, cujo significado original
também era "vinho". A classificação Coffea arabica foi dada
pelo naturalista Lineu.
O café no entanto teve inimigos mesmo entre os árabes, que consideravam
suas propriedades contrárias às leis do profeta Maomé. No entanto, logo
o café venceu essas resistências e até os doutores maometanos aderiram
à bebida para favorecer a digestão, alegrar o espírito e afastar o sono,
segundo os escritores da época.
A partir de 1615 o café começou a ser saboreado no Continente Europeu,
trazido por viajantes em suas frequentes viagens ao oriente. Até o século
XVII, somente os árabes produziam café. Alemães, franceses e italianos
procuravam desesperadamente uma maneira de desenvolver o plantio em suas
colônias.
Mas foram os holandeses que conseguiram as primeiras mudas e as cultivaram
nas estufas do jardim botânico de Amsterdã, fato que tornou a bebida uma
das mais consumidas no velho continente, passando a fazer parte definitiva
dos hábitos dos europeus.
A partir destas plantas, os holandeses iniciaram em 1699, plantios experimentais
em Java. Essa experiência de sucesso trouxe lucro, encorajando outros
países a tentar o mesmo. A Europa maravilhava-se com o cafeeiro como planta
decorativa, enquanto os holandeses ampliavam o cultivo para Sumatra, e
os franceses, presenteados com um pé de café pelo burgomestre de Amsterdã,
iniciavam testes nas ilhas de Sandwich e Bourbon.
Com as experiências holandesa e francesa, o cultivo de café foi levado
para outras colônias européias. O crescente mercado consumidor europeu
propiciou a expansão do plantio de café em países africanos e a sua chegada
ao Novo Mundo. Pelas mãos dos colonizadores europeus, o café chegou ao
Suriname, São Domingos, Cuba, Porto Rico e Guianas. Foi por meio das Guianas
que chegou ao norte do Brasil. Desta maneira, o segredo dos árabes se
espalhou por todos os cantos do mundo.
A CULTURA DA BEBIDA CAFÉ
Segure uma xícara exalando o aroma de um bom café e você estará com a
história em suas mãos.
Apenas um pequena gole dessa saborosa bebida fará com que você possa fazer
parte de uma enorme cadeia de produção, romantismo e lances de muito arrojo,
iniciada há mais de mil anos.
O hábito de tomar café foi desenvolvido na cultura árabe. No início, o
café era conhecido apenas por suas propriedades estimulantes e a fruta
era consumida fresca, sendo utilizada para alimentar e estimular os rebanhos
durante viagens. Com o tempo, o café começou a ser macerado e misturado
com gordura animal para facilitar seu consumo durante as viagens.
Em 1000 d.C., os árabes começaram a preparar uma infusão com as cerejas,
fervendo-as em água. Somente no século XIV, o processo de torrefação foi
desenvolvido, e finalmente a bebida adquiriu um aspecto mais parecido
com o dos dias de hoje. A difusão da bebida no mundo árabe foi bastante
rápida. O café passou a fazer parte do dia-a-dia dos árabes sendo que,
em 1475, até foi promulgada uma lei permitindo à mulher pedir o divórcio,
se o marido fosse incapaz de lhe prover uma quantidade diária da bebida.
A admiração pelo café chegou mais tarde à Europa durante a expansão do
Império Otomano.
AS CAFETERIAS
Foi em Meca que surgiram as primeiras cafeterias, conhecidas como Kaveh
Kanes. Cidades como Meca, eram centros religiosos para reza e meditação
e a religião muçulmana proibia o consumo de qualquer tipo de bebida alcoólica.
Desta forma, os Kaveh Kanes se transformaram em casas onde era possível
se passar à tarde conversando, ouvindo música e bebendo café. A bebida
conquistou Constantinopla, Síria e demais regiões próximas. As cafeterias
tornaram-se famosas no Oriente pelo seu luxo e suntuosidade e pelos encontros
entre comerciantes, para a discussão de negócios ou reuniões de lazer.
As cafeterias desenvolveram-se na Europa durante o século XVII, enquanto
florescia o Iluminismo e se planejava a Revolução Francesa. Durante tardes
inteiras, jovens reuniam-se em torno de várias xícaras de café, discutindo
o destino das nações, declamando poemas, lendo livros ou simplesmente
passando o tempo. Atualmente, algumas casas famosas como o Café Procope,
em Paris, e o Café Florian, em Veneza, ainda preservam o glamour dessa
época.
Até hoje os cafés são locais onde pessoas se reúnem para discutir assunto
importantes ou simplesmente passar o tempo, sendo o ritual do cafezinho
uma tradição que sobreviveu a todas as transformações.
Nos últimos anos, houve uma onda provocada pelas modernas máquinas de
café expresso, que revolucionaram o hábito do cafezinho, permitindo um
crescimento vertiginoso das cadeias de lojas de café.
A técnica de gerenciamento por meio do sistema de licença da marca também
permitiu um rápido desenvolvimento dessas lojas especiais, voltadas para
um mercado mais exigente, o de café Gourmet.
BIBLIOGRAFIA
NEVES, C. - A estória do café. Rio de janeiro, Instituto Brasileiro do
Café, 1974. 52 p.
TAUNAY, A. de E. - História do café no Brasil: no Brasil Imperial 1822-1872.
Rio de Janeiro, Departamento Nacional do Café, 1939.
DPASCHOAL, L. N. - Aroma de Café - DPaschoal, 2006
|